quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Eu Sou Aquele Que Te Espera 

O teu carro tem um som especial
e eu posso reconhecê-lo entre mil.
Os teus passos têm um timbre de magia
- eles são música prá mim -
A tua voz é o sinal maior do meu momento feliz
e às vezes tu nem precisas falar: eu "ouço" a tua tristeza.

Se vejo tua alegria, como isso me faz feliz !
Eu não sei o que é cheiro bom ou mau:
só sei que o teu cheiro é o melhor.

De algumas presenças eu gosto, de outras não,
mas a tua presença é a que movimenta os meus sentidos.

Tu acordado me despertas,
tu dormindo és o meu Deus em repouso
e eu velo teu sono.

O teu olhar é um raio de luz
quando percebo o teu despertar.

As tuas mãos sobre mim
têm a leveza da paz.

E quando tu sais, tudo é vazio outra vez ...

Eu volto a esperar sempre e sempre
pelo som do teu carro,
pelos teus passos,
pela tua voz,
pelo teu estado (sempre inconstante) de humor,
pelo teu cheiro,
pelo teu repouso sob minha vigília,
pelo teu olhar,
pelas tuas mãos.

E até consigo ser feliz assim !

Eu sou aquele que te espera:
eu sou teu cão.


© Silvia Schmidt ©
No livro "Nossas Raízes"© 1998 ©

quarta-feira, 25 de abril de 2012


ENCONTREI SEU CÃO

Hoje encontrei seu cão. Não, ele não foi adotado por ninguém. Aqui por perto a maioria das pessoas já tem vários cães e quem não tem nenhum não quer um cão. Eu sei que você esperava que ele encontrasse um bom lar quando o deixou aqui, mas ele não encontrou. Quando o vi pela primeira vez ele estava bem longe da casa mais próxima, sozinho, com sede, magro e mancando por causa de um machucado na pata.

Eu queria tanto ser você no momento em que parei na frente dele! Então poderia ver sua cauda abanando e seus olhos brilhando ao pular em teus braços, pois ele sabia que você o encontraria, sabia que você não o esqueceria. Poderia ver o perdão nos olhos dele por todo sofrimento e dor que passara na interminável jornada à tua procura. Mas eu não era você. E apesar de minhas tentativas de convencê-lo a se aproximar, os olhos dele viam um estranho. Ele não confiava em mim. Ele não se aproximava.

Então ele se virou e seguiu seu caminho, pois tinha certeza de que o caminho o levaria a você. Ele não entendia porque você não o estava procurando. Ele só sabia que você não estava lá, sabia que precisa te encontrar e que isso era mais importante do que comida, água ou o estranho que poderia lhe dar essas coisas.

Percebi que seria inútil tentar persuadi-lo ou segui-lo. Nem o nome dele eu sabia! Fui para casa, enchi um balde com água, coloquei comida numa vasilha e voltei para o lugar em que o encontrara. Não havia nem sinal dele, mas deixei a água e a comida debaixo da árvore onde ele estivera descansando ao abrigo do sol. Veja bem, ele não é um cão selvagem. Ao domesticá-lo, você tirou dele o instinto de sobrevivência nas ruas. Ele só sabe que precisa caminhar o dia todo. Ele não sabe que o sol e o calor podem custar-lhe a vida. Ele só sabe que precisa te encontrar.

Aguardei na esperança de que voltasse a buscar abrigo sob a árvore, na esperança de que a água e a comida fizessem com que confiasse em mim; assim poderia levá-lo para casa, cuidar do machucado da sua pata, dar-lhe um canto fresco para se deitar e ajudá-lo a entender que você não faria mais parte vida dele. Ele não voltou naquela manhã e a água e a comida permaneceram intocadas. Fiquei preocupada. Você deve saber que poucas pessoas tentariam ajudar teu cão. Algumas o enxotariam, outras chamariam a carrocinha que lhe daria o destino que você talvez achasse que o libertaria de todo o sofrimento pelo qual porventura estivesse passando.

Voltei ao mesmo lugar antes do anoitecer e não o encontrei. Na manhã seguinte, retornei e vi que a água e a comida continuavam intactas. Ah, se você estivesse aqui para chamá-lo pelo nome, tua voz lhe é tão familiar!

Comecei a caminhar na direção que ele havia tomado antes, mas sem muita esperança de encontrá-lo. Ele estava tão desesperado para te encontrar, que seria capaz de caminhar muitos quilômetros em 24 horas.

Horas mais tarde e a uma boa distância do lugar onde o vira pela primeira vez, finalmente encontrei seu cão. A sede já não o atormentava, sua fome fora saciada, suas dores haviam passado, o machucado da pata não o atormentaria mais. Seu cão estava morto. Livrara-se do sofrimento. Ajoelhei-me ao lado dele e amaldiçoei você por não estar ali antes para que eu pudesse ter visto brilho naqueles olhos vazios, nem que só por um instante. Rezei, pedindo que sua jornada o tivesse levado ao lugar que imagino você esperava que ele encontrasse. Se você soubesse por quanta coisa ele passou para chegar lá... E sofri, sofri muito, pois sei que se ele acordasse agora e se eu fosse você, os olhos dele brilhariam ao vê-lo e ele abanaria o rabo perdoando-o por tê-lo abandonado.

Autoria Desconhecida

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Tentando entender meu complicado ser...
As vezes me pergunto quem sou? Menina brincando de ser mulher ou uma mulher que anseia ainda ser menina...?
Não sei, acho que fiz o processo inverso, assumi o papel de mulher ainda menina, suportei dificuldade fui obrigada a ser responsável e séria pelas circunstâncias da vida, muito nova precisei encarar que os contos de fadas não existem e isso me tornou meio dura é verdade. Sofri chorei, mas respirei e dei a volta por cima, hoje depois de "adulta" acho que anseio buscar a menina que não fui e por isso a mulher que devo ser vive a brincar de ser menina que se escondeu em algum porão do meu inconsciente,
Busco um equilíbrio que não vem, não sei quem sou uma mescla do que devia ter sido com o que devo ser vivo buscando não sei o que, numa duvida infinita por algo que nem sei o que é.
Assim sou nem mulher nem menina apenas alguém em busca de si mesma!!!!!!
“Peço desculpa as pessoas no qual eu me recusei a estender a mão, por que sabia que elas tinham capacidade de se levantarem sozinhas, peço desculpa as pessoas no qual eu feri com a minha sinceridade, por que eu sabia que seria melhor ferir com uma verdade do que com uma mentira, peço desculpa as pessoas que me ajudaram e eu nunca disse um obrigada, por que sabia que um dia eu poderia demonstrar a minha gratidão com um gesto bem melhor & maior que uma simples palavra de agradecimento, peço desculpa as pessoas que me escutaram quando eu precisei, mais quando elas precisaram de mim eu somente ouvi & nada falei, por que sabia que em um momento difícil ter alguém que possa te ouvir as vezes é suficiente, peço desculpa as pessoas no qual me amaram e eu me recusei a entregar o meu amor a elas logo de cara, por que sabia que elas conquistariam isso com o tempo...”
Liih Oliveira.

sexta-feira, 16 de março de 2012


Sou forte. Meio doce e meio ácida. Em alguns dias acho que sou fraca. E boba. Preciso de um lugar onde enfiar a cara pra esconder as lágrimas. Aí penso que não sou tão forte assim e começo a olhar pra mim. Sou forte sim, mas também choro. Sou gente. Sou humana. Sou manhosa. Sou assim. Quero que as coisas aconteçam já, logo, de uma vez. Quero que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente. E quero continuar errando, pois jamais serei perfeita (ainda bem!). Tampouco quero ser comum e normal. Quero ser simplesmente eu. Quero rir, sorrir e chorar. Sentir friozinho na barriga, nó no peito, tremedeira nas pernas. Sentir que as coisas funcionam e que tenho que trocar de jeito quando insisto em algo que não dá resultado. Quero aprender e, ainda assim, continuar criança. Ficar no sol e sentir o vento gelado no nariz. Quero sentir cheiro de grama cortada e café passado. Cheiro de chuva, de flor, cheiro de vida. Aprecio as coisas simples e quero continuar descomplicando o que parece complicado. Se der pra resolver, vamos lá! Se não dá, deixa pra lá. A vida não é complicada e nem difícil, tudo depende de como a gente encara e se impõe. Quero ser eu, com minha cara azeda e absurdamente açucarada. Não quero saber tudo e nem ser racional. Quero continuar mantendo o meu cérebro no lugar onde ele se encontra: meu coração. E essa é a melhor parte de mim.
(Clarissa Corrêa) 

domingo, 16 de outubro de 2011


Manual dos Gatos

Faça do mundo o seu playground.


Sempre que não der tempo de ir até a caixa sanitária, cubra com qualquer coisa! Meias resolvem satisfatoriamente.


Quando estiver com fome mie bem alto! Eles o alimentarão apenas para fazê-lo ficar quieto.


Sempre encontre algum raio de sol e cochile nele.


Cochile sempre.


Quando estiver encrencado, apenas ronrone e faça cara de "lindinho".


A vida é muito difícil, então cochile.


A curiosidade nunca matou nada, a não ser umas poucas horas.


Quando na dúvida, finja saber o que está fazendo.


O tempero da vida é variar. Um dia, ignore as pessoas, no outro as chateie.


Suba na vida, é para isso que as cortinas servem.


Deixe sua marca no mundo, ou ao menos borrife em cada canto.


Seja sempre generoso, um passarinho ou camundongo deixado na cama diz a eles " eu me importo".


Autoria Desconhecida